O NOVO ROCK SUECO, PARTE 4: THE CHUCK NORRIS EXPERIMENT, SCUMBAG MILLIONAIRE E THE DRIPPERS

The Chuck Norris Experiment

A coluna é sobre grupos suecos, mas comecemos dessa vez falando a respeito de um nome surgido na vizinha Noruega. O Turbonegro, formado ainda nos anos 90, sacudiu primeiramente a Escandinávia, e depois o resto do mundo, ao atualizar uma fórmula que transformou em legendas grupos setentistas como New York Dolls e Alice Cooper: androginia comedida, sexualidade à flor da pele e Rock ambiguamente agressivo, ao mesmo tempo malicioso e sussurrante. Podemos dizer que é o Glam em seu estado ideal, pois com o tempero mais bestializado que os Proto-Glams não possuíam – afinal, o Punk Rock, substancial elemento na personalidade do TN, ainda não era uma realidade quando os precursores erigiram suas pedras fundamentais (embora estes tenham grande ascendência na consolidação estética/artística do movimento). Viajaremos agora de Oslo para Gotemburgo, e mostraremos que cerca de 300 km separam as duas cidades nórdicas, mas o Turbonegro é seu (improvável) elo de unificação. Vamos lá!

THE CHUCK NORRIS EXPERIMENT

 Abrimos espaço nesta coluna para uma espécie de “veterano” do Rock sueco, aproveitando também o fato de esses nativos de Gotemburgo serem direta inspiração para as duas bandas sequentes.



Sustentam que o nome do grupo é homenagem não ao ator, e sim ao obscuro bluesman norte-americano homônimo, ativo nos anos 40 e 50 especialmente como Sideman e músico de estúdio – por essa pista inicial percebe-se que a irreverência é mola mestra do trabalho do Chuck Norris Experiment, cujo primeiro registro data de 2005 e que de lá pra cá segue despejando full lenghts, splits, singles e o que mais for possível prensar. O último deles, chamado “Shortcuts”, além da música de inegável pedigree, possui conceito interessante: canções resumidas a seu esqueleto mais básico, riffs, levada e letra/refrão; 10 faixas em 12 minutos com somente o tutano do mais sacana, pegajoso (ops!) e divertido Hard/Sleaze feito nos domínios do rei Carlos XVI. Me cobre depois: será o melhor quarto de hora que você terá no dia de hoje.

SCUMBAG MILLIONAIRE


Gotemburgo
tem parques, tem os mercados de Feskerkorka e Saluhallen, tem o Museu da Cultura Mundial, tem um belíssimo Jardim Botânico, e tem bandas que cultuam aquela gana anárquica e inconsequente da galera surgida em Detroit nos anos 60, turma essa que encarava o Rock com selvageria e sede de excessos artísticos/comportamentais. O Scumbag Millionaire, com seu nome muitíssimo bem sacado, é como se fosse uma versão bagaceira do Hellacopters, calculadamente desleixado no visual e com generoso acento Punk/Metal no som. Enxergar o mundo através de lentes Sleaze é a missão desse quarteto, já com dois consistentes álbuns de estúdio em sua conta – o viés decadentista é inerente ao gênero, o material do SM recende a bitucas, cerveja barata e espeluncas malcheirosas, mas contorna o ranço Hipster com o apetite de quem entende que ar blasé de nada funciona se as guitarradas de sua música não forem categóricas.

Confira “Poor And Infamous”, lançado em 2020 pelo selo holandês Suburban Records, logo aí abaixo:

THE DRIPPERS

É, com o The Drippers a impressão inicial se confirma: Gotemburgo é a terra do Rock’n’Roll na Suécia. Esse Power Trio define-se como “Action Rock”, e tal rótulo me parece certeiro – fechariam bem com bandas já apresentadas por aqui, como o Liar Theif Bandit e o The Hawkins; porém me parecem mais fanfarrões que a primeira, e também com orientação menos pop do que a segunda.

A The Sign Records apostou em seu debut, intitulado justamente “Action Rock”, e outra vez acertou na mosca: energia aos borbotões, guitarras febricitantes, seção rítmica determinada a colocar o mundo em constante transe epilético. Soa como se o Turbonegro encontrasse o Motorhead da fase “FastEddie Clarke e, empolgado com essa nobre associação, pisasse firme no acelerador – se as “rádios rock” fossem menos acovardadas, é nesse tipo de som que orgulhosamente investiriam. A quem se interessar: o álbum possui versão nacional, editada pela Hellion Records.

Em breve voltaremos com mais! Caso tenha perdido as partes anteriores, clique aqui para conferir a Parte 1, aqui para conferir a Parte 2 e aqui para conferir a parte 3.

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