O NOVO ROCK SUECO, PARTE 1: VOKONIS, HONEYMOON DISEASE E DOMKRAFT

A Suécia é o país mais musical desse mundo. A mim não resta contestação: todo e qualquer estilo que você possa imaginar encontra nesse país nórdico, ao mesmo tempo tão diminuto e tão artisticamente prolífico, representantes de altíssima qualidade (um bom punhado deles, na maioria dos casos). E, entre tantas vertentes com alcance planetário, temos cenas repletas de excelentes nomes, mas ainda a serem descobertas com maior amplitude, como é o caso da recente safra de bandas mais voltadas ao Rock’n’roll básico, ao Stoner / Doom / Sludge, à Psicodelia e até mesmo ao Rock Progressivo.

Formações como Graveyard, Hellacopters e Spiritual Beggars já são bastante conhecidas – nessa série especial, programada para ir ao ar toda sexta-feira aqui no Monophono, repassaremos algumas outras, sejam elas de maior ou menor rodagem, mas que permanecem joias merecedoras de atenta audição. Confira!

VOKONIS

Diretamente de Boras, fundada em 1621, hoje com pouco mais de oitenta mil habitantes e conhecida como “a cidade mais limpa do mundo” por conta de seu altamente eficiente sistema de reciclagem, surge o trio Vokonis. Depois de dois discos voltados a um Stoner com vocação Sludge (na veia de um Sleep, por exemplo), o grupo se permitiu uma virada musical a partir do terceiro álbum, “Grasping Time”: elementos etéreos, espaciais e “Rushianos” surgiram em sua música, e ganhos em textura, variação e complexidade se fizeram notar. O quarto álbum, “Odyssey”, está para chegar dia 7 de maio via The Sign Records, e nele os esforços progressivos estão outra vez evidentes, juntamente a influências definitivamente mais pesadas (mão invisível do Opeth, talvez?). Uma banda em constante ebulição criativa, transbordante de musicalidade e sempre pronta para transformar-se.

“Grasping Time” na íntegra:

HONEYMOON DISEASE

Segunda maior cidade da Suécia (perde apenas para a capital Estocolmo), Gotemburgo é um dos centros musicais mais agitados e originais de todo o planeta. Situada na costa oeste do país, no condado de Västa Götaland, e com pouco mais de meio milhão de habitantes a ocupar um território de 447 km², a localidade é conhecida primordialmente por sua influente cena Death MetalAt The Gates, In Flames e Dark Tranquility vieram de lá. O Honeymoon Disease é mais uma cria local, porém com direcionamento sonoro frontalmente diverso: Rock’n’roll de vocais femininos com um pé fincado no Proto-Heavy Metal, como se o Thin Lizzy ou o Scorpions da fase “Taken By Force” fossem um pouco mais Garageiros. Dois álbuns em sua conta pessoal, porém com integrantes espalhados em vários outros projetos (muitos dos quais falaremos em breve).

Primeiro álbum, “The Transcendence”, completo: 

 

DOMKRAFT

Esses são de Estocolmo, aglomerado de dezenove ilhas/ilhotas responsáveis por 1/3 do PIB Sueco. Sede tanto do governo oficial quanto da família real, assim como palco da entrega do Prêmio Nobel, a cidade concentra cerca de 2 milhões de pessoas em seu território interligado por pontes. Death Metal? Sim! Dismember, Entombed e Unleashed, pra citar apenas alguns. Dali também veio o Domkraft, trio descrito como “Sludge Psicodélico” no Discogs, porém mais próximo de um Doom clássico Sabbathiano feito de forma competentíssima, caleidoscópico na repetição atonal dos riffs, lisérgico nas levadas, com vocais limpos que soam como se o Ozzy cantasse nos Melvins. Um EP e dois álbuns completos no currículo, com o terceiro full lenght, “Seeds”, programado para dia 30 de abril via Magnetic Eye Records.  

Vídeo para “Dawn of Man”, primeiro single do novo disco:

Semana que vem tem mais!

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