O NOVO ROCK SUECO, PARTE 2: LIAR THIEF BANDIT, GRANDE ROYALE E HOT BREATH


Continuando nosso rolê pela inesgotável produção musical sueca, desta feita daremos uma rápida pescoçada em bandas de rock básico, de espírito vintage porém com orientação moderna, e que, pelo visto, transformam as garagens escandinavas em festas repletas de cerveja, palhetadas e decibéis.

LIAR THIEF BANDIT

Esses caras são de Malmö, terceira maior cidade da Suécia, localizada no extremo sul do país e que faz fronteira com a Dinamarca. Centro industrial de destaque, cidade portuária por excelência e hoje com pouco mais de 315 mil moradores, Malmö é a casa do Liar Thief Bandit, trio à moda antiga, movido a guitarras neurastênicas e bastante afeiçoado àquele Punk mais próximo ao Power PopDead Boys e Buzzcocks são fraternalmente invocados, enquanto as inserções melódicas dos refrões lembram bandas como Dag Nasty.


Dois discos full lenght em sua conta pessoal, com o terceiro, “Deadlights”, marcado para 14 de maio próximo via The Sign Records (o último single divulgado, “Feather”, está linkado logo abaixo). Se você curte um Rock de tendência radiofônica, porém jamais entregue a esterilidades comerciais, pode ir sem medo.


GRANDE ROYALE



Jönköping não chega a cem mil habitantes – capital do condado de mesmo nome e fundada ainda no século XIII pelo rei Magnus III, é terra de uma das principais universidades da Suécia. Cidades pacatas como essa costumam ser cenário no qual boas bandas florescem – e o Grande Royale faz barulho na região desde a primeira metade da presente década. “Carry On”, lançado mês passado também pela The Sign Records, é o quinto álbum de estúdio dessa galera, que transita pelo Rock cru, pelo Proto-Metal e até mesmo pelo Southern Rock com desenvoltura e conhecimento de causa.


Sobressaem-se pela versatilidade, perante as outras crias de sua geração – e esse último disco periga ser o mais redondo registro da turma até aqui, obra com instrumental faiscante e que sabe equacionar força e diversão. Ode escapista ao Rock’n’Roll, como arte e consequentemente estilo de vida, “Carry On” te faz chutar a mesinha de centro e chacoalhar o esqueleto mesmo (ou principalmente?) nessa interminável quarentena.


HOT BREATH


Apresentamos Gotemburgo na coluna passada, e também o Honeymoon Disease – pois metade dessa banda (a saber, o baterista Jimmy Karlsson e a guitarrista Jennifer Israelsson) migrou para o Hot Breath, que acaba de lançar, outra vez via The Sign Records, seu debut propriamente dito (um EP auto-intitulado o precedeu). O espírito “Thinlizzeano” da formação anterior ainda se mostra onipresente, porém desta feita com uma veia Hard/Sleaze bastante acentuada – mal comparando, seria como se Phil Lynnot contratasse o George Lynch para a função de guitarrista em uma banda Proto-Punk (espero não ter ido longe demais…). “Rubbery Lips” é trabalho muito mais sólido e conciso que o apresentado pelo HD, arranjos com arestas perfeitamente aparadas, nos quais o despojamento jamais é obscurecido pelo latente profissionalismo. Os portões para a consagração estão (merecidamente) abertos.


Em breve tem muito mais! Aproveite para conferir a Parte 1 dessa série, clicando aqui.

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