O NOVO ROCK SUECO, PARTE 3: HEAVY FEATHER, ACID’S TRIP E THE HAWKINS


Nesse momento é primavera na Suécia, época propícia para desabrochar toda nossa inerente BichoGrilice – porém, mesmo que as três bandas aqui listadas encontrem certas raízes no “Flower Power“, nas corridas por campos verdejantes turbinadas por suquinhos de cogumelos especiais, e na liberdade social/criativa estimulada através da música feita nos anos 60 e 70, cada uma encontra caminhos próprios para desenvolver trabalhos que deixam o cheiro de naftalina ali mesmo onde ele deve ficar, o fundo da gaveta. Vamos conhecê-las, então?


HEAVY FEATHER

Vir de Estocolmo já é tipo um selo de aprovação automático colado a qualquer projeto musical – e o Heavy Feather surge para corroborar com galhardia a excelência artística da localidade. O Blues Rock está presente, o Psicodelismo também, Janis Joplin é referência óbvia da excepcional cantora/gaitista Lisa Lystam, mas a obra em seu conjunto brilha para além de qualquer referência, pois faz do passado um ponto de partida, e não meta final. O primeiro álbum, “Débris & Rubble”, de 2019, coloca Grand Funk, Fleetwood Mac e Allman Brothers em coexistência, faz do feeling sua força motriz (o solo e a performance vocal da balada SkynyrdianaTell Me Your Tale”, barbaridade!), exibe maturidade e elegância surpreendentes para uma formação estreante (em que pese a boa rodagem pregressa de todos os integrantes).


O novo disco, “Mountains of Sugar”, lançado mês passado pela The Sign Records, apresenta eletrificação mais possante, uma Lisa mais segura e visceral, e ainda adiciona novos elementos à mesa (o tempero soul de “Love Will Come Easy” e o slide de “Too Many Times” mostram que o HF pode desbravar outros territórios com classe e autoridade). Banda de altíssimo calibre – e, como o debut foi lançado aqui no Brasil pela Hellion, procure urgente por sua cópia para dela nunca mais largar.

 


ACID’S TRIP



O  Honeymoon Disease, apresentado na primeira coluna, deu origem ao Hot Breath, assunto da segunda – pois agora é a vez de destacarmos o Acid’s Trip, projeto de Anna Acid, guitarrista/vocalista dissidente do HD e big kahuna inconteste desse quarteto dedicado a uma alquimia similar às duas bandas acima citadas: atmosfera Proto-Metal, Thin Lizzy mais presente que oxigênio, citações a Kiss e Scorpions aqui e ali, espírito Garageiro da Detroit Sessentista sempre evocado.





Porém, como aconteceu com o Hot Breath, Anna deu também um passo à frente em relação a seu grupo inicial: assumiu de frente a condição de líder, caprichou no “Girl Power” que anteriormente era bem pouco explorado (remetendo a uma sólida tradição Rockeira que se inicia com Runaways e Suzi Quatro, Girlschool mais à frente), costurou melhor as influências e adicionou energia personalizada condizente a uma formação que carrega seu nome. Gotemburgo sorri feliz com mais essa cria pródiga, a estrear brevemente em vinil com “Strings of Soul”, agendado para 7 de maio via Heavy Pshych Sounds.

 


THE HAWKINS



Arboga situa-se na província histórica de Västmanland. Emancipou-se como cidade de fato ainda no século Xll, possui nove quilômetros quadrados e meio de área urbana e conta atualmente com cerca de 13 mil habitantes. A casa do quarteto The Hawkins é, como já comentado na coluna passada, uma daquelas localidades pacatas nas quais o bom Rock sempre frutifica – e esses são caras que não tem a menor vergonha de assumir influências melódicas vindas do AOR/Pop Rock (impossível não lembrar de um Ricky Springfield ao ouvir “Hilow”, por exemplo), porém soam a maior parte do tempo como uma versão sueca do The Darkness despida das (maravilhosas) afetações da formação inglesa. Sabem trabalhar as harmonias vocais (“Fisherman Blues” e seus coros a la Asia), produzir pedradas vigorosas (“The Puppet Show” beira o Metal), e investir em levadas viciosas que dariam um benfazejo gás à programação de qualquer rádio dita “Rockeira” (“Cut Moon Bleeds” coloca esses Nickelbacks da vida instantaneamente pra correr). Um nome a se acompanhar de perto – seu segundo álbum, “Silence Is A Bomb” foi lançado ano passado pela The Sign Records.


Em breve voltamos com mais. Aproveite para conferir a Parte 1 e a Parte 2 dessa série, clicando aqui e aqui.

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