DEEP PURPLE: NOVO ÁLBUM “WOOSH” DISPONÍVEL PARA STREAMING E EM CD NACIONAL + (MARTIN BIRCH)



Só de poder falar de um novo disco do Deep Purple em 2020 é uma vitória. Que coisa maluca ver que esses caras existem desde os anos 60, que passaram desde então por psicodelia, proto-heavy metal e rock progressivo, que possuem embaixo de seus braços uma miríade de álbuns cuja quase totalidade é de registros absolutamente históricos e essenciais, que ajudaram a definir boa parte das sonoridades praticadas ainda agora, em diversos estilos dentro do rock. Que pouco se abalaram por mudanças de formação que provocariam até mesmo dissoluções em outros grupos menos calejados (o que fazer quando um gênio da estatura de Ritchie Blackmore sai da banda? Chame outro instrumentista genial, Steve Morse, oras!), que sobreviveram a toda sorte de arapucas colocadas em seu caminho pela indústria do entretenimento (coisa que não os transtorna até hoje, seja como instituição musical, seja como indivíduos), que estão confortáveis com o status de “lenda” mas nunca acomodados a ele, que dificilmente ficam sem ostentar largos sorrisos quando tocam ao vivo, apaixonados de corpo e alma por seu ofício. E que, operários braçais da arte que são, estão a trabalhar sem parada em prol do legado que construíram, seja fisicamente (shows) ou intelectualmente (composição), atiçados por aquele comichão criativo que acomete somente aos que possuem talento acima do normal. Tanta coisa menor adquire a classificação de “clássico”, que chega a ser até mesmo injusto chamar esses senhores que não de autênticos mitos.

Bom, tudo isso pra dizer que “Wooosh”, o álbum novo em questão, está disponível nas plataformas digitais de sua preferência, e também em CD, lançado no Brasil pela gravadora Shinigami Records em parceria com a earMUSIC em duas versões: CD simples e CD+DVD em embalagem digipack (no DVD temos bate-papo de uma hora entre o baixista Roger Glover e o produtor Bob Ezrin, e o show completo de 2017 no festival francês Hellfest). Importante dizer também que trata-se de um registro lindo, que exala dignidade por todos os sulcos, um passeio por sonoridades progressivas, funkeadas e mesmo com algo de AOR, atadas em arranjos com a assinatura inconfundível do grupo. Tudo o que esperamos do Purple aí está: a voz de Ian Gillan em belo momento, a marcação sempre firme de Roger Glover, a pegada variada desse monstruoso Ian Paice, o timbre de guitarra sobrenatural de Steve Morse, os teclados econômicos e bem colocados de Don Airey. É a linha que a banda trabalha desde “Perfect Strangers” de 84, desta feita até mesmo com um toque mais “erudito” (experimentados que estão em parcerias com orquestras), e executado com elegância inimitável. Escrever a história é a missão do Deep Purple – e felizmente ainda restam páginas em branco a serem preenchidas.

(N. do R.: Martin Birch nos deixou neste domingo, aos 71 anos. Engenheiro de som e produtor com larga experiência em meio a monstros do rock inglês, entre eles Iron Maiden, Black Sabbath, Whitesnake e Rainbow, trabalhou com o Purple em álbuns como “In Rock“, “Machine Head” e “Stormbringer“. Um cara que andou lado a lado com gigantes em momentos definitivos, portanto – e que os ajudou não apenas a moldar a própria personalidade sonora, mas também a cristalizar muito do melhor da música registrada na segunda metade do século passado. David Coverdale assim se manifestou: “Martin teve grande participação em minha vida, me ajudando desde a primeira vez que nos encontramos até o álbum Slide In It. Meus sentimentos à família e aos fãs”. Tony Iommi: “Era um sujeito maravilhoso e um excelente produtor”.)

Confira abaixo o vídeo oficial de “Man Alive“:

Ian Gillan e Ian Paice falam sobre a criação de Woosh:

“Sometimes I Feel Like Screaming” ao vivo com orquestra:

 

Ouça na íntegra “Whoosh”:

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