MEUS DISCOS: NOBODY CAN LIVE FOREVER – THE EXISTENTIAL SOUL OF TIM MAIA

VIVA TIM MAIA!

Diferente de Pedro Santos (leia aqui a coluna Meus Discos passada), Tim Maia dispensa apresentações. Pelo menos alguma vez na vida você já ouviu falar sobre esse gênio da Soul Music Brasileira. Caso alguém ainda não conheça sua história (o que eu acho um tanto quanto difícil), segue um breve resumo:

Tim Maia é o nome artístico de Sebastião Rodrigues Maia, nascido no Rio de Janeiro no ano de 1942. Teve uma infância pobre no bairro da Tijuca, onde cresceu. Morava em um cortiço e era o caçula de doze irmãos. Ainda criança, vendia marmitas para ajudar a família. Na juventude conviveu com Erasmo Carlos e Jorge Ben. Em 1957 participou do grupo vocal The Sputniks (com Roberto Carlos). Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde era conhecido por “Jim”, estudou inglês e entrou em contato com a Soul Music. 4 anos mais tarde, foi deportado de volta para o Brasil, preso por roubo e posse de drogas. Gravou seu primeiro álbum pela Polydor, “Tim Maia“, em 1970. Em 1974 conheceu a doutrina Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho.

Durante esse período, afastou-se dos vícios, fato este que refletiu positivamente em sua voz. Gravou dois álbuns clássicos, “Tim Maia Racional Vol. 1” e “Tim Maia Racional Vol. 2“. Músicas gravadas também durante essa fase, ficaram esquecidas e perdidas durante 35 anos, sendo lançadas em 2011 oficialmente através do álbum “Tim Maia Racional Vol. 3“. Posteriormente desiludiu-se com a doutrina e percebeu que o tal mestre Manuel não passava de um charlatão. Revoltado com situação, tirou de circulação os álbuns, fazendo com que esses discos se tornassem itens de colecionadores.

Continuou sua carreira, fazendo shows e lançando discos até o ano de 1998. Durante uma apresentação para TV, passou mal e foi internado. Dias depois a situação se agravou, e Tim veio a falecer no dia 15 de março deste mesmo ano.

NINGUÉM PODE VIVER PARA SEMPRE

No ano de 2012, a gravadora Luaka Bop, fundada em 1989 por David Byrne (Talking Heads), sediada em Nova York, apresentou Tim Maia para o mundo, através do disco tema dessa matéria: “Nobody Can Live Forever: The Existential Soul Of Tim Maia“. Festas simultâneas aconteceram por diversos países/cidades do mundo para a divulgação do disco: São Francisco, Los Angeles, Portland, Nova York, Washington, Phoenix, Chicago, Milão, Lisboa, Londres, Amsterdã, Melbourne, Belo Horizonte, entre outros locais, teriam a partir desse momento, exatamente no dia 28 de setembro, acesso à essa magnifica obra.

Com a curadoria de Paul Heck, o disco duplo, lançado em vinil 180 gramas, capa gatefold e qualidade impecável, trás ao todo 15 faixas, sendo 6 em português e 9 faixas em inglês. As músicas em português são na grande maioria da fase racional, ou de compactos lançados durante a carreira de Tim. As músicas internacionais fazem parte de álbuns lançados entre 1971 e 1976.

O cuidado da gravadora ao divulgar e lançar o disco foi tanto, que eles criaram uma animação contando a história da vida de Tim Maia.

Listei logo abaixo, após uma pesquisa, seguindo a ordem dos vinis, cada faixa desse disco e de onde se origina cada uma delas:

LADO A
A1-Que Beleza (álbum “Tim Maia Racional Vol. 1” – 1975)
A2-Let´s Have a Ball Tonight (Álbum “Tim Maia” – 1976)
A3-O Caminho do Bem (álbum “Tim Maia Racional, Vol. 2” – 1976)

LADO B
B1-Ela Partiu (Compacto de 1976 com a música “Meus Inimigos“)
B2-Quer queira, quer não queira (álbum “Tim Maia Racional, Vol. 2” – 1976)
B3-Brother Father Mother Sister (álbum “Tim Maia” – 1976)
B4-Do Leme ao Pontal (Compacto de 1982 com a música “Amiga”). 

LADO C
C1-Nobody Can Live Forever (álbum “Tim Maia” – 1976)
C2-I Don´t Care – (álbum “Tim Maia” – 1971)
C3-Bom Senso (álbum “Tim Maia Racional, Vol 1” – 1975)
C4-Where os My Other Half (álbum “Tim Maia” – 1972)
C5-Over Again (álbum “Tim Maia” – 1973)

LADO D
D1- The Dance is Over (álbum “Tim Maia” – 1976)
D2-You Don´t Know What I Know (álbum – “Tim Maia Racional, Vol. 1” – 1975)
D3-Rational Culture (álbum “Tim Maia Racional, Vol1” – 1975)

A cereja do bolo desse disco, fica a cargo do single “Do Leme ao Pontal“:

Durante sua carreira, em gravações presentes em álbuns oficiais, Tim Maia gravou “Do Leme ao Pontal” em 7 versões diferente, sendo 3 em discos de estúdio e 4 ao vivo. Um detalhe interessante para essa música lançada na coletânea da Luaka Bop, que originalmente saiu em um compacto lançado em 1982, é que a levada é mais lenta e funkeada do que a versão que estamos acostumados a ouvir, além de não ter a estrofe “Tomo guaraná, suco de cajú, Goiabada para sobremesa”. Espetacular!

Nobody Can Live Forever: The Existential Soul Of Tim Maia” é um disco excepcional, onde não há sequer uma música que não seja sensacional. Isso faz com que ele seja uma coletânea necessária para quem é fã de Tim Maia. É uma tarefa difícil escolher qual seria o melhor disco da minha coleção, mas posso afirmar com certeza que esse álbum está entre os três melhores.

Você pode ouvir todas as faixas do disco, através do Youtube clicando aqui.

CONFIRA ABAIXO, ALGUMAS FAIXAS DO DISCO VIA SPOTIFY

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