CRÔNICA: O MUNDIAL DO ROCK É TÃO VÁLIDO QUANTO O DO ALVIVERDE DA TURIASSÚ



Semana passada “comemorou-se” o “Dia Mundial do Rock“. De uns anos pra cá, meio que NECESSARIAMENTE, no dia 13 de Julho, a internet é invadida com memes, músicas e imagens em celebração a este ritmo musical. Eu mesmo sempre faço as minhas, geralmente memes toscos com a marca de qualidade bosta que me é peculiar, usando imagens do Balboa tomando soco ou do assistente de palco do Abravanel. Acontece que este ano, só neste ano, é que fui me inteirar mais sobre o assunto e descubro que o “Mundial do Rock” é igual a taça de 51 do “Parmera“.

Vale? Vale. Só pra uma minoria. O lance é que em 85 durante um Live Aid (Live Aid, guarde bem essa palavra pois será usada mais à frente), Phil Collins disse que está data poderia ser celebrada como o dia Mundial do Rock.

Ninguém deu bola. Gritaram um “toca Raul” e ele mandou um “Easy Lover” pra galera chacoalhar o esqueleto (gíria velha né? Pra lá de “cringe” normal…, Sou velho mesmo). Daí a 97FM, bem como a 89 a “Rádio Rock” pegaram a ideia e tentaram emplacar… mas não colou. Rola que de uns anos pra cá, essa febre veio a colar na Net brazuca e tá aí. E assim deve seguir pelos próximos anos. E vendo bem, essa data faz sentido no Brasil, e só no Brasil, e só pro Rock Brasileiro. Porque não tem sentido o Rock ter uma data.

O Rock é (ou era pra ser) avesso a esses lances de regras e convenções. O Rock é rebeldia e quebra de paradigmas. A ideia da data foi lançada por um artista que se destacou por ser uma grande ícone do Rock PROGRESSIVO durante um Live Aid que celebrava bem essa união “espiritual” do lance.

Mas aqui? Aqui o que temos? Um Rock comandado por figuras que seguem um padrão conservador de costumes, que abraçam as causas e pautas reacionárias de um sabe-se “quem”. De um roqueiro preconceituoso com novos ritmos, roupas, modos e pasmem, cheio de preconceitos com a juventude. Tentando manter no patamar de eterno e imutável um ritmo que tem em seu gene justamente a mudança e a inovação. Não estou falando das bandas de Garagem que lutam e sangram em espaços curtos e fazem o Rock por amor e diversão. Não! Esses são os que ainda mantém viva a chama da música. São estes que fundem as guitarras à sintetizadores, Beats, programas Android e tentam criar algo novo. Estou falando dos velhos oligarcas musicais que de “Nova”, nem a filha tem mais. Dos eternos “gatões de selim”. Das motociatas de perfil infantilizado e bobo. Ainda escuto o chamado “Rock and Roll” diariamente. Ainda sou palmeirense. E mesmo que eu saiba que ambos não tem mundial, sigo com eles até o fim. Pois com ambos os casos é amor. Construído tijolo por tijolo. Que é diferente, e bem diferente de uma paixão boba e cega que não tem nada de concreto no fim.

Cadu Pinheiro é pai, bebedor de Campari, fumante inveterado e não usa twitter.

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